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Nosso
vizinho, o Callithrix Jacchus
Dentre os
animais mais comuns do Cosme Velho, se destacam os micos ou
sagüis. Existem muitos tipos de sagüis, que vivem em toda a América
Central e do Sul. O nosso “vizinho” se distingue dos outros
pelos tufos de pêlo branco que os adultos tem próximos às
orelhas. O seu nome científico é Callithrix Jacchus, e ele
também pode ser encontrado nas encostas da Floresta da Tijuca
que margeiam os bairros de Laranjeiras, Humaitá, Jardim Botânico,
Santa Teresa, Leblon e Gávea. Tem mais ou menos trinta centímetros
de comprimento, e mais outro tanto de cauda, e pode pesar até
240 gramas.
Ao
contrário de muitos macacos, a sua cauda não é pênsil, ou
seja, eles não se penduram nela. Em geral, podem ser vistos
pulando rapidamente de galho em galho, seguindo quase sempre o
mesmo caminho em busca das frutas e insetos que comem. Andam em
bandos que podem chegar a trinta ou quarenta indivíduos, e
depois de comer deixam-se ficar pelos galhos, com a cauda
pendurada; quando chega a noite, dormem aninhados em ocos de árvores.
O
período de gestação é de aproximadamente cinco meses. As fêmeas
geralmente dão à luz a gêmeos, e são os machos adultos que
carregam os filhotes pequenos nas costas; de lá eles só saem
na hora da mamada. A partir de seis meses o leite da mãe é
substituído pela alimentação normal, e com um ano e meio de
idade os micos já podem se reproduzir. Quando isto acontece, os
bandos acabam se dividindo.
Na
floresta, os micos podem viver até 20 anos. Com o
desaparecimento das onças, jaguatiricas e gatos-do-mato das
nossas encostas, seus principais inimigos se resumem aos gaviões
e gatos domésticos. Também são capturados para venda para
colecionadores, embora isto seja proibido e cruel, já que
afastados do bando os micos tendem a viver menos.
É
possível desfrutar da companhia dos micos sem aprisioná-los.
Mesmo sem vê-los, é possível saber se eles estão por perto
pelo assobio agudo, inconfundível. Aqui no Cosme Velho, muitos
moradores deixam frutas cortadas (banana é a preferida) em
lugares onde foram avistados, e eles passam a se alimentar delas
diariamente. Com o tempo, perdem o medo e não fogem da aproximação
das pessoas. Mas atenção: se assustados, podem morder, o que
é perigoso pelo risco de infecção e transmissão de doenças.
Uma
curiosidade: existem vários relatos de bandos mistos compostos
de micos e outros tipos de macaco. Perto da Bica da Rainha
existe um bando que “adotou” um Saimiri ou Mão-de-ouro,
macaco da Amazônia muito criado em cativeiro. Se fugiu ou foi
solto, ninguém sabe, mas o fato é que ele age como se fosse um
mico, inclusive carregando os filhotes do bando...
- Carlos
Kessel
- 265-7677
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